“É tempo de cuidar”

Somos todos - indivíduos, famílias, empresas, países e civilização - herdeiros de um fenômeno extraordinário, nosso maior patrimônio: a vida.

Fomos, como civilização, geniais ao inventarmos o mercado, mecanismo que se sofistica crescentemente, mas desde sempre tem uma finalidade: atender as necessidades da vida humana. Em um momento em que, aturdidos, nos defrontamos com uma ameaça global, de consequências devastadoras, como a pandemia do Corona Vírus, é fundamental termos clareza do que é prioritário, mesmo respeitando opiniões divergentes.

Acreditamos que nossa prioridade, como indivíduos, famílias, empresas, países, civilização, é cuidar da vida, de sua preservação. Para isso, para enfrentar esse novo momento assustador e inesperado, devemos nos guiar por Instituições, autoridades médicas e cientistas das mais diversas áreas, cuja formação, conhecimentos acumulados, experiência cotidiana, têm como responsabilidade justamente esta prioridade.

É tempo de cuidar. Cuidar de si, dos outros e das relaçoes que estabelecemos com o mundo. Sociedade e empresas devem instar governos a fazer o que é imperioso ser feito, para privilegiar os investimentos na saúde pública, no apoio ao funcionamento da economia e , principalmente, dos pequenos negócios e no atendimento das necessidades dos mais frágeis que temos em nossa sociedade. Dos grupos de risco de hoje e de sempre. Não pode haver dúvida sobre o caminho a ser escolhido. Agir rápido em favor da vida.

É o que temos feito em nossas empresas. Estamos em contato permanente com a Organização Mundial de Saúde e autoridades de muitos países para que as melhores práticas sejam adotadas e informações cheguem às milhões de pessoas que compõe nossa rede de relações.

A epidemia nos ensinará lições importantes sobre a vida. Enfrentaremos uma severa retração econômica e, mais preocupante, um aumento profundo da desigualdade social no Brasil e no mundo. Quando voltarmos a vida normal acreditamos que poderemos ser melhores para cuidar das pessoas e do planeta.

Nesse complexo contexto, buscamos fazer nossa parte. Entendemos que é crucial a continuidade e ampliação da produção de alguns itens de higiene, essenciais no combate a epidemia. Devemos e estamos fazendo isso com todos os cuidados para preservar a saúde de nossos colaboradores e em cooperação com autoridades sanitárias Temos que assegurar que não faltem meios para que possamos nos cuidar e cuidar dos outros isolando sobretudo quem deve ser isolado: o vírus.

Para os não envolvidos diretamente na produção e distribuição, estamos recomendando o isolamento, o trabalho de casa. Asseguramos estabilidade aos nossos colaboradores durante a crise. Obviamente temos procurado estar juntos, apoiando e conectando nossas milhões de consultoras e representantes independentes em seus desafios de manter suas atividades, observado o distanciamento necessário,

Nestes tempos de reflexão, compartilhamos crença que nos tem unido e movido desde sempre: “A vida é um encadeamento de relações. Nada existe por si só, tudo é interdependente”. A distância física é fundamental para impedir a propagação do contágio de forma acelerada, mas ela deve ser feita com conexão, empatia e solidariedade. Os médicos nesse momento não estão emitindo apenas opiniões, mas indicando o caminho da melhor ciência disponível. A eles e a todos os profissionais de saúde, nosso máximo respeito e homenagens. Também devemos expressar nossa admiração por inúmeras lideranças da sociedade civil que, conscientes dessa interdependência, lideram esforços solidários e efetivos para fazer chegar a ajuda onde ela se faz necessária.

Materialmente, vivemos todos um momento de perdas. Nós as enfrentamos com a tranquilidade de quem já atravessou muitas crises antes. As crises passam. Queremos reforçar essa ideia fundamental em todos os campos e atividades que desenvolvemos como empresa e como cidadãos: mais do que viver as perdas, é tempo de cuidar.

Somos testemunhas de um momento fundamental na história humana. Nas incertezas que marcam este momento, que nossa reflexão nos leve às escolhas de quem queremos ser ao final deste processo. Se tudo parece nublado em relação ao futuro, nosso coração pode nos nutrir de esperança de um mundo melhor. Se somos produto de uma civilização individualista, temos agora ainda maiores razões para sonharmos com a emergência de uma humanidade mais solidária e cooperativa. Com certeza o poeta não era ingênuo quando afirmou que “a aurora é lenta, mas avança”. Ele apenas descrevia como nasce a beleza, à espera do nosso olhar.

Luiz Seabra, Guilherme Leal, Pedro Passos e Roberto Marques